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Entrevista Net TV - agosto 2002

VINGANÇA POP

A atriz e cantora Jennifer Lopez treina arte marcial israelense e dá uma surra no marido criminoso no filme "Nunca Mais"

Tony Marques*

de Nova York (EUA)

A vingança é um prato que a justiça não prepara nem serve em "Nunca Mais", novo filme da estrela Jennifer Lopez que estréia no Brasil este mês. Mas a expressão mais ouvida nas entrevistas feitas sobre a produção, em que ela interpreta uma dona de casa que não consegue proteção das autoridades e resolve revidar as ameaças do marido, foi: "Isso não é um documentário".

A frase foi repetida pelo produtor, pelo diretor, os atores Bill Campbell (da série "Once And Again") e Noah Wyle (o adorável dr;. Carter de "E.R."), além da própria Jennifer, que separou-se de Cris Judd, com quem esteve casada por 8 meses. A idéia era frisar o caráter de diversão do filme.

Que aliás é muito bem resolvido, na condição de thriller. A personagem de Jennifer não está na tela para sucumbir. Sucede, porém, que o poderio e a determinação de Mitch (Campbell), o marido perseguidor, dá sustos no espectador a cada rajada contra a pobre Silm.

E a excelência da seqüência final é tão incrível quanto eficiente. Concentra a formosura da atriz, uma perfeita coreografia de combate corpo-a-corpo e uma montagem eletrizante. O público-teste, composto pelos fãs da cantora, amou.

"A última sequência é a minha favorita", disse Jennifer, das raras figuras hollywoodianas, se não for a única, que se faz acompanhar por um segurança, mesmo quando cercada por meia dúzia de jornalistas em uma das salas do sofisticado hotel no qual recebe a imprensa.

Na história, Slim é uma garçonete que conhece seu futuro marido quando ele, na condição de freguês da lanchonete em que ela trabalha, a livra do assédio de um cafajeste. A boa ação leva ao interesse; o interesse, ao namoro; o namoro, ao casamento; e o casamento, ao inferno.

Tendo dinheiro e conexões, Mitch é implacável na perseguição a Slim, que foge do inferno doméstico levando a filha. Como a polícia nada pode fazer sem provas, ela tem de se virar. E o faz literalmente botando para quebrar.

Na entrevista a seguir, Lopez defende o personagem com unhas e dentes. Sem precisar usar os golpes da arte marcial israelense krav-magá, que aprendeu para a coreografia do clímax.

- Qual o desafio representado pela interpretação de sua personagem em "Nunca Mais"?

JENNIFER LOPEZ: Foi uma coisa emocional, e houve regiões escuras [da mente] às quais tive de ir para entrar na cabeça de uma mulher que sofreu abusos, entende? Trata-se de controlar a situação, não importando o quanto está ruim. Tipo, "tenho que sair disso, e não ser resgatada por quem quer que seja". Como Davi e Golias. Não tão literalmente.

- Você fez algum tipo de pesquisa para o papel? Falou com vítimas de abuso doméstico?

JENNIFER LOPEZ: Não foi a primeira vez que lidei com esse assunto, que também está em "Mi Familia". Li muita coisa e conheci pessoas que passaram por isso. Há perspectivas diferentes. O que existe em comum é a dificuldade de se sair da relação, porque existe um amor envolvido.

- Você se identificou com o papel?

JENNIFER LOPEZ: Pude me relacionar bastante com o papel. Todo mundo pode se identificar com o fato de estar numa relação que tem um abuso emocional, tipo você estar com uma pessoa negativa. Do tipo que você pensa: "Não pode ficar pior do que isso". E fica, entende o que quero dizer?

- A mensagem do filme, de vingança, não é um tanto delicada?

JENNIFER LOPEZ: O filme é sobre esperança, e é por isso que quis fazê-lo. Você pode controlar sua vida, não nesse nível, porque isto é um filme, não um documentário. (pausa) É uma espécie de "Rocky" feminino. Slim se vê numa relação que sofre abusos, tem que cuidar de uma criança, e precisa fugir. Muitas mulheres passam por isso na vida real, mas acho que, em níveis diferentes, nós, mulheres, temos a tendência a nos entregar. A mensagem é a respeito de como retomar o seu poder. Se você está numa situação negativa, você pode sair.

- E a preparação física, aprendendo uma arte marcial, o Krav-magá? Foi difícil?

JENNIFER LOPEZ:: Krav-magá é uma técnica de luta israelense, usada no exército. Uma luta de rua, bem suja. Li o roteiro e pensei: vou ter que aprender tai-chi ou tae-kwondo. Como é que vou aprender em tão pouco tempo? Mas aprendi para o filme. Treinei uns dois meses antes da filmagens.

- Você certa vez disse que pretendia interpretar Carmem Miranda. A idéia ainda está de pé?

JENNIFER LOPEZ: Cheguei a falar com Steven Soderbergh sobre isso, e ele gostou. Mas por enquanto não vai dar para fazer.

- Você canta, dança, atua e tem uma linha de roupas. Em que atividade você se sai melhor?

JENNIFER LOPEZ: É claro que em todas! (risos) Eu gosto de me expressar e essas atividades são as formas que eu encontrei de fazer isso.

* O jornalista Tony Marques é correspondente do jornal "O Globo" em Nova York


5 FILMES COM JENNIFER LOPEZ QUE VOCÊ DEVE VER:


"Selena" (1997) - Cinebiografia da cantora latina. A contragosto, Jennifer foi dublada nas canções.

"Reviravolta" (1997) - Nesse filme nervoso de Oliver Stone, Jennifer é o objeto de desejo do forasteiro Sean Penn e de um Nick Nolte neurótico

"Irresistível Paixão" (1998) - A atriz e o galã George Clooney soltam faíscas nessa divertida mistura de comédia, romance e policial dirigida por Steven Soderbergh

"A Cela" (2000) - Com figurino e edição de videoclip, o filme fez enorme sucesso mostrando a atriz mergulhada nos pesadelos de um psicopata

"O casamento dos Meus Sonhos" (2001) - Jennifer flerta com a comédia romântica ao lado do bonitão Matthew McConaughey